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Ali Khamenei: quem era o aiatolá que governou o Irã com mão de ferro por quase quatro décadas

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Ali Khamenei: quem era o aiatolá que governou o Irã com mão de ferro por quase quatro décadas
Ali Khamenei: quem era o aiatolá que governou o Irã com mão de ferro por quase quatro décadas (Foto: Reprodução)

Imagem mostra Ali Khamenei durante uma transmissão de TV em fevereiro de 2026 Office of the Iranian Supreme Leader/West Asia News Agency/Handout via REUTERS O aiatolá Ali Khamenei comandou o Irã por quase quatro décadas com mão de ferro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ele foi morto nos ataques conjuntos entre forças americanas e de Israel contra o Irã neste sábado (28). O governo do Irã não confirma a informação. Enquanto permaneceu no poder, Khamenei nunca aceitou fazer reformas na república islâmica e reprimiu com força a oposição. No cenário internacional, manteve posição hostil aos Estados Unidos e se negava aceitar a existência do Estado de Israel. ACOMPANHE a cobertura sobre o conflito em tempo real Quando se tornou líder supremo, sua escolha foi considerada uma surpresa porque nem todos o julgavam qualificado para suceder Ruhollah Khomeini, o fundador e líder históricoda república islâmica. Khamenei tinha sido vice-ministro da defesa, e presidente durante a guerra com o Iraque. Mas não um dos líderes da revolução. Ele nem sequer tinha o título de aiatolá. Ele nasceu em 1939 em Mashhad, cidade sagrada para os xiitas. O segundo de oito filhos, de uma família pobre e devota. Cresceu sob a monarquia do xá Reza Pahlavi — num momento em que o Irã era aliado dos Estados Unidos e até de Israel. O Irã, de origem persa, buscava conter o predomínio árabe no Oriente Médio. Mas aquele país que respirava cultura americana e europeia também reprimia quem discordasse do governo. Não demorou para que uma ideologia antiocidental crescesse na sociedade e dentro de Khamenei. Quando o Irã começou a se rebelar contra a monarquia, ele se juntou aos protestos. Acabou na prisão e, em 1977, foi para o exílio, que não durou muito. A revolução islâmica do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1979, derrubou o xá e marcou uma mudança radical na política externa do país. O Irã passou a pregar a eliminação do Estado de Israel. E a chamar os Estados Unidos, um antigo aliado, de “grande satã”, símbolo do imperialismo ocidental. A ascensão dos clérigos xiitas foi a porta de entrada de Ali Khamenei ao poder. Virou homem da confiança do líder supremo. Em 1980, passou a conduzir a oração de sexta-feira em Teerã, a mando de Khomeini. Em 1981, um ataque a bomba deixou a sua mão direita paralisada. Logo depois, aos 42 anos, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos. Durante a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988, esteve ao lado de Khomeini. Foi nesse período também que o Irã começou a financiar e a armar extremistas como o Hezbollah, no Líbano. E, mais tarde, os terroristas do Hamas, na Faixa de Gaza. Era a chamada guerra por procuração — que, ao longo das décadas seguintes, provocou diferentes atentados contra cidadãos israelenses e ocidentais. Desde a morte de Khomeini, em 1989, Ali Khamenei liderou o país de 90 milhões de habitantes e uma história que se funde com a antiga Pérsia. Seu poder foi proporcional ao dos grandes ditadores. O Irã é uma teocracia. Por isso, Khamenei acumulou as funções de líder político e líder religioso. Foi o responsável pelas decisões estratégicas da nação, como as de política externa, segurança e forças armadas. Podia anular as decisões do presidente e tinha o poder de demitir qualquer membro do governo a qualquer momento, sem os votos do parlamento. Apresentava-se como o guardião dos valores da revolução islâmica: justiça social, independência nacional e governo islâmico. Mas, diante do seu povo, Khamenei usou a força para reprimir a dissidência. Como a Onda Verde de 2009, que protestou contra a reeleição do presidente conservador Ahmadinejad. Ou em 2019, quando as periferias se revoltaram contra o aumento dos preços dos combustíveis. Em 2022, uma nova onda de protestos foi reprimida depois da morte da jovem Mahsa Amini, sob custódia da polícia moral iraniana. Ela tinha sido presa por não usar o véu islâmico corretamente e, segundo a família, foi espancada pelos agentes. O gesto de retirar o hijab e cortar o cabelo em público se tornou um símbolo das manifestações. O governo reagiu com a receita das ditaduras: violência, prisões arbitrárias, mortes, perseguição a jornalistas e censura da internet. Nos últimos anos, Khamenei viu a popularidade do regime cair, por causa da insatisfação com a economia cambaleante. A inflação disparou, o desemprego está em alta e a exportação de petróleo já não é mais a mesma. Muito por causa das sanções impostas pelo Ocidente, em represália ao programa nuclear iraniano. A insatisfação popular aumentou após os ataques de Israel e dos EUA ao Irã, em junho de 2025, que agravaram a crise econômica no país. No início deste ano, o governo enfrentou uma grande onda de protestos, reprimida com violência por Teerã e que deixou milhares de mortos. Antes do ataque deste sábado, o líder iraniano sobreviveu a um atentado em 1981, e também se recuperou de um câncer em 2014. Desde a morte de Hassan Nasrallah, que comandava o Hezbollah, o Irã aumentou as medidas de segurança para o aiatolá. Em um país em que os veículos de imprensa são controlados pelo regime, não são muitas as informações sobre a rotina do líder supremo. Diziam que ele viveu os últimos meses num bunker subterrâneo em Teerã. Ataque Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã deste sábado. A ação deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo a imprensa iraniana com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio. O Exército dos Estados Unidos informou que nenhum militar americano ficou ferido na ação. O governo americano afirmou ainda que os danos às bases militares dos EUA no Oriente Médio, após a retaliação iraniana, foram “mínimos”. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por motivos de segurança, informou a agência estatal iraniana Tasnim. Em pronunciamento, Netanyahu declarou que a ofensiva contra o Irã matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano. Segundo ele, "milhares de alvos" serão atacados nos próximos dias. No mesmo pronunciamento, Netanyahu fez um apelo direto à população do Irã para que se levante contra o regime e vá às ruas para protestar. “Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração”, afirmou. Em inglês, Netanyahu acrescentou: “A ajuda chegou”, em referência a uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em janeiro, o norte-americano afirmou que estava enviando “ajuda” a manifestantes que protestavam contra Khamenei. O que se sabe do ataque de EUA e Israel: Agências de notícias informaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações usadas pelo líder supremo em Teerã, capital do Irã. Segundo a agência estatal iraniana Fars, explosões também foram ouvidas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, todas em diferentes regiões do país. Exército israelense afirma ter atingido "centenas de alvos militares iranianos", incluindo lançadores de mísseis. O ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, morreram nos ataques israelenses, segundo três fontes ouvidas pela agência Reuters. 85 pessoas morreram em uma escola de meninas no sul do Irã, segundo a imprensa estatal iraniana. Na mesma região, outras 15 pessoas foram mortas em um ginásio. O que se sabe sobre a retaliação do Irã: Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas. Diversas explosões foram ouvidas em outros países da região, como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes — países que têm bases norte-americanas. Vários prédios residenciais foram atingidos no Bahrein, segundo o governo local. Em comunicado, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado vários mísseis iranianos e que uma pessoa morreu na capital Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai, segundo testemunhas. Sistemas de defesa antimísseis foram acionados por Israel e pelos países do Golfo. 4 pessoas morreram na Síria após míssil iraniano atingir um prédio, informa a agência Reuters. VÍDEOS: mais assistidos do g1

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