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Após 14 anos de embargo, Justiça autoriza abertura de parque em terreno de antigo aterro sanitário na Zona Leste de SP

Interior do Parque Primavera, em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo Divulgação/PMSP Após impasse judicial que durou quase 14 anos, a Prefeitur...

Após 14 anos de embargo, Justiça autoriza abertura de parque em terreno de antigo aterro sanitário na Zona Leste de SP
Após 14 anos de embargo, Justiça autoriza abertura de parque em terreno de antigo aterro sanitário na Zona Leste de SP (Foto: Reprodução)

Interior do Parque Primavera, em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo Divulgação/PMSP Após impasse judicial que durou quase 14 anos, a Prefeitura de São Paulo foi autorizada a inaugurar um parque municipal construído sobre um antigo aterro sanitário em São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital. Um mutirão para reformar o espaço está sendo realizado nesta semana e a expectativa da gestão Ricardo Nunes (MDB) é que o Parque Primavera seja aberto à população no próximo sábado (14) - o primeiro da região. Localizado à margem da Avenida Jacu Pêssego, o parque passou mais de uma década sem receber manutenção adequada. Isso levou à deterioração de vários equipamentos, apesar do gasto anual de R$ 1,8 milhão com vigilância e zeladoria do local. Nós estamos com uma força-tarefa no parque, várias equipes trabalhando manhã, tarde e noite. Estamos arrumando todos os quiosques, um checklist de toda a iluminação. Provavelmente, a gente vai ter academia e playground novo. A sede também está sendo todinha reformada. Projeto mapeia parques da Cidade de SP para propor melhorias A notícia da autorização para abertura foi recebida com surpresa e entusiasmo pela população. "Para mim é um presente. Hoje estou com quase 74 anos e cheguei a perder a esperança, pensei que não ia estar aqui quando ficasse pronto", diz o líder comunitário Sylvio Sena. Morador do bairro há quase cinco décadas, ele relembra o sofrimento da comunidade nos anos de atividade do aterro Jacuí, desativado em 1988. "Foram nove anos de lixo, com gás entrando dentro das casas e várias explosões. Lembro de quando um rapaz acendeu um palito de fósforo pra olhar dentro do poço de água e subiu aquela labareda enorme", relatou. A área foi arborizada nas décadas seguintes e o primeiro setor do Parque Primavera - que ocupa 17% dos cerca de 150 mil m² de terreno - estava prestes a ser inaugurado, em 2012, quando teve a obra embargada pela Justiça a pedido do Ministério Público. A ação apontava risco de contaminação do solo e de explosões devido à presença de gases remanescentes da época do aterro. Vista aérea do Parque Primavera, em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo Divulgação/PMSP Perícias recentes demonstraram, no entanto, que "a área atingiu um estágio de controle e estabilização que permite o uso seguro como parque urbano", como registrou a juíza Tamara Priscila Tocci em decisão do última dia 4. A magistrada citou uma perícia judicial concluída no ano passado e laudos técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para derrubar a liminar. Os documentos atestam que a área é segura e livre de risco à saúde humana, desde que cumpridas medidas de monitoramento e limitadas as escavações. A decisão destaca que a administração municipal atendeu as exigências de órgãos ambientais no decorrer do processo, como a instalação de 26 drenos de gases e 40 poços de monitoramento no terreno. A intenção da prefeitura é dar sequência aos estudos para implantação da fase 2 do parque, ocupando o restante do terreno, logo após a inauguração. "A gente vai ver a possibilidade, inclusive, de ter áreas de lazer, quadras, campos de futebol", disse o secretário Rodrigo Ashiuchi. Segundo ele, a gestão também avalia incorporar um outro terreno para ampliar o parque no futuro. Terreno do Parque Primavera, em São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo Arquivo pessoal Nos últimos anos, a área verde virou um matagal que atrai descarte irregular de lixo e outros transtornos devido à falta de vigilância. Moradores ainda relatam incêndios frequentes, que assustam a vizinhança e causam prejuízo à saúde por causa da fumaça e fuligem. Segundo Ashiuchi, a prefeitura deverá instalar câmeras de monitoramento integradas ao Smart Sampa e incluir o parque na rota de policiamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para melhorar a segurança do local.

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