Dois anos após execução de advogado no Centro do Rio, 4 estão presos; polícia e MPRJ investigam mandante e executores do crime
Advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, morto a tiros no Rio. Reprodução Dois anos depois da execução do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no dia 26 de ...
Advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, morto a tiros no Rio. Reprodução Dois anos depois da execução do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no dia 26 de fevereiro de 2024, as investigações da Delegacia de Homicídios e do Ministério Público do Rio buscam confirmar quem foi mandante do crime. A polícia também procura, desde o ano passado, pelos suspeitos de participar diretamente da execução. Em abril de 2025, os PMs Fernando de Souza Júnior, o Shurek, e Renato Franco Lopes, o Pitbull, foram presos em flagrante por porte ilegal de arma. Operação mira matadores de aluguel suspeitos da execução de advogado em 2024 Em abril de 2024, três pessoas se tornaram rés na Justiça, acusados de monitorar a vítima antes do crime. Para o Ministério Público, a principal tese é que foi um recado contra possíveis atividades de Crespo ligadas ao setor de apostas. Ele teria como objetivo "negociar a sua entrada na exploração lícita, regular, de jogos de azar online." Um quarto homem está preso por ligação com o crime, também suspeito de monitorar os passos da vítima. Testemunhas ouvidas na investigação que o advogado queria entrar no ramo de apostas de cassino online. O g1 apurou que a vítima pretendia abrir um Sports bar, onde também poderiam ser feitas apostas, na Zona Sul do Rio. Uma testemunha, dona de uma casa de pôquer, contou à polícia que foi procurada em dezembro de 2023 para falar sobre a possibilidade de negócio. "Há fortes indícios de que a malta, com a execução, tenha pretendido dar 'um recado'", diz o MP na denúncia. Três acusados de executar o crime serão levados a júri popular no início de março: Leandro Machado da Silva: policial militar que, segundo as investigações, providenciou os carros usados no crime. Se entregou na Delegacia de Homicídios dias após o crime. Cezar Daniel Mondego de Souza: apontado como responsável por monitorar a vítima. Eduardo Sobreira Moraes: É apontado pela polícia como o responsável por seguir os passos de Rodrigo, dirigindo o carro para Cezar enquanto acompanhavam a movimentação da vítima antes do assassinato. O policial militar Leandro Machado da Silva é um dos acusados de matar o advogado Rodrigo Marinho Crespo Reprodução Foto de Eduardo Sobreira e Cezar Daniel Mondego juntos aparece em relatório de investigação da Polícia Civil Reprodução Os três primeiros viraram réus no processo em abril de 2024, quando a denúncia do Ministério Público foi aceita. Na decisão, Leandro, que é PM, foi afastado do cargo. De acordo com as investigações, os réus se encontraram antes e depois do crime, inclusive perto do batalhão onde Leandro trabalhava. As investigações da DH da Capital indicam que os criminosos já estavam atrás de Rodrigo desde o dia 5 de outubro de 2023: anotações com as placas dos veículos de Crespo foram encontradas nos celulares de um dos investigados, no dia em que ele foi a uma festa em Ipanema. Procurada, a defesa de Leandro Machado afirmou: "Nos manteremos íntegros à tese defensiva apresentada durante o curso do processo", disse o advogado Diogo Macruz. A defesa de Eduardo Sobreira afirmou que acredita na inocência do cliente: "A defesa reafirma sua absoluta convicção na inocência de Eduardo, até porque a narrativa acusatória não encontra respaldo nas provas dos autos. Confiamos nas instituições e, sobretudo, na capacidade dos jurados para que, com independência e humanidade, façam justiça", afirmou o advogado Felippe C. Teixeira. A defesa de Cézar Daniel Mondego não respondeu até a publicação desta reportagem. O quarto elemento Ryan Patrick Barboza de Oliveira foi preso na Baixada Fluminense Reprodução Segundo as investigações, o quarto identificado como participante do crime é Ryan Patrick Barboza de Oliveira. Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, ajudou a monitorar os passos de Rodrigo, inclusive no dia 26 de fevereiro de 2024, quando o homicídio aconteceu. A partir da análise do telefone do suspeito, a polícia descobriu que Ryan acompanhou Rodrigo e ficou no Centro da cidade até as 11h da manhã do dia do crime, sendo substituído posteriormente por Cezar Daniel Mondego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes. Ryan foi preso por participar de outro crime que foi cometido pelo mesmo grupo, de acordo com a polícia: o assassinato do dono do bar Parada Obrigatória, Antônio Gaspaziane Mesquita Chaves. Machado, Mondego, Sobreira e Ryan também foram indiciados por participação em outro crime investigado com possível atuação da máfia dos cigarros de Adilsinho: a execução do empresário Thiago Trigueiro Gomes, de 37 anos, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A morte aconteceu em janeiro de 2024, um mês antes do assassinato do advogado Crespo. As investigações da DHNSGI revelaram que o Gol branco utilizado para seguir Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro, também foi usado para monitorar as atividades de Thiago Trigueiro Gomes. As mensagens interceptadas revelam que Ryan diz a Mondego, apelidado de Visão, que o alvo seria alguém que estava vendendo "cigarro errado" em um depósito bem próximo de casa. Adilsinho foi alvo de mandado de busca Adilsinho é alvo de buscas em operação sobre morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo No dia 9 de abril de 2024, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e outras oito pessoas investigadas no inquérito da morte de Rodrigo Marinho Crespo. Adilsinho, apontado como chefe da máfia dos cigarros ilegais do Rio de Janeiro e bicheiro dono de pontos de jogo do bicho e caça níqueis nas Zonas Sul e Norte da capital, atualmente está foragido com quatro mandados de prisão em aberto: Na Justiça Federal, é apontado como chefe da máfia dos cigarros Na Justiça do Rio, responde como mandante dos assassinatos de rivais no Jogo do Bicho Na Justiça do Rio, responde como mandante do assassinato de Fábio Alamar Leite Na Justiça do Rio, responde como mandante da execução de Fabrício Alves Martins Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho Reprodução/TV Globo Procurada, a defesa de Adilsinho afirmou que ele "nega qualquer envolvimento com os fatos noticiados, não tendo qualquer relação com o contrabando de cigarros ou assassinatos, repudiando a vinculação de seu nome aos referidos eventos. Reitera confiança na Justiça e afirma que comprovará sua inocência". A nota foi assinada pelo advogado Ricardo Braga.