Príncipe herdeiro do Irã pede que mundo apoie povo iraniano em meio a protestos em Munique
O príncipe herdeiro exilado do Irã pediu neste sábado (14) que a comunidade internacional apoie os iranianos, enquanto cerca de 250 mil pessoas participaram ...
O príncipe herdeiro exilado do Irã pediu neste sábado (14) que a comunidade internacional apoie os iranianos, enquanto cerca de 250 mil pessoas participaram de um protesto em Munique, na Alemanha, segundo a polícia. A manifestação ocorreu paralelamente a um encontro de líderes mundiais e atendeu a um chamado de Reza Pahlavi por maior pressão internacional sobre Teerã. Com tambores, bandeiras e gritos por mudança de regime, o ato fez parte do que Pahlavi chamou de “dia global de ação” em apoio aos iranianos após protestos nacionais que deixaram mortos. Ele também convocou mobilizações em Los Angeles e Toronto. A polícia afirmou que o público superou a expectativa dos organizadores. A multidão entoou palavras de ordem como “mudança, mudança, mudança de regime” e exibiu bandeiras verde-branco-vermelhas com os símbolos do leão e do sol, usados pelo país antes da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a dinastia Pahlavi. Em entrevista coletiva, Pahlavi alertou para o risco de mais mortes caso “as democracias apenas observem” a repressão do governo iraniano aos protestos do mês passado. “Nos reunimos em um momento de profundo perigo para perguntar: o mundo ficará ao lado do povo do Irã?”, disse. Segundo ele, a permanência do atual governo “envia um sinal claro a qualquer tirano: mate pessoas suficientes e você continuará no poder”. Em Toronto, cerca de 350 mil pessoas também marcharam como parte do chamado Dia Global de Ação, de acordo com a polícia local. No protesto em Munique, alguns manifestantes usaram bonés vermelhos com o slogan “Make Iran Great Again”, em referência ao lema político popularizado por apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O senador americano Lindsey Graham estava entre os que usavam o acessório e discursou para o público. Cartazes com imagens de Pahlavi também foram vistos na manifestação, alguns chamando-o de rei. Filho do xá deposto, ele vive no exílio há quase 50 anos e tenta se apresentar como uma figura relevante no futuro político do país. Os manifestantes gritaram “Pahlavi para o Irã” e “democracia para o Irã”, enquanto tocavam tambores e címbalos. Um dos participantes, Daniyal Mohtashamian, que viajou de Zurique, disse que queria representar os iranianos que enfrentam repressão dentro do país. “Há um apagão de internet, e as vozes deles não conseguem sair do Irã”, afirmou. Cerca de 500 pessoas também protestaram em frente ao palácio presidencial em Nicósia, no Chipre, com faixas contra o governo iraniano e a favor de Pahlavi. A Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, afirma que ao menos 7.005 pessoas morreram nos protestos do mês passado, incluindo 214 integrantes das forças de segurança. O grupo diz se basear em uma rede de ativistas no país para verificar os dados. O governo iraniano divulgou apenas um balanço oficial, em 21 de janeiro, informando 3.117 mortos. Autoridades iranianas já foram acusadas anteriormente de subnotificar vítimas em períodos de agitação. A Associated Press não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos, já que o acesso à internet e as comunicações internacionais foram interrompidos no Irã. O país também voltou a sofrer pressão de Trump, que ameaçou ação militar e quer que Teerã reduza ainda mais seu programa nuclear. Na sexta-feira, ele afirmou que uma mudança de regime no Irã “seria a melhor coisa que poderia acontecer”. Na véspera, o Irã já havia sido tema de protestos em Munique durante a abertura de uma conferência anual de segurança que reúne líderes europeus e autoridades internacionais. Apoiadores do grupo de oposição Mujahedin do Povo do Irã também participaram das manifestações.