Salário de R$ 26 mil e buscas na web: o que se sabe sobre a prisão do ex-gerente suspeito de desvio milionário
Ex-gerente é preso por extorsão e agiotagem; polícia aponta plano de fuga O ex-gerente Péricles Antônio Pereira foi preso preventivamente por suspeita de d...
Ex-gerente é preso por extorsão e agiotagem; polícia aponta plano de fuga O ex-gerente Péricles Antônio Pereira foi preso preventivamente por suspeita de desviar R$ 10 milhões de uma fazenda em Miranorte, no Tocantins. Segundo a Polícia Civil, ele recebia salário mensal de R$ 26 mil, mas teve uma evolução patrimonial incompatível com a renda, o que gerou suspeitas. Durante as investigações foi constatado que o suspeito usava a internet para pesquisar investimentos e formas de manter renda mensal elevada. As buscas foram identificadas após autorização judicial para acesso aos dados digitais do investigado. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Para a polícia, o conteúdo pesquisado indica tentativa de planejar a manutenção do patrimônio e de se proteger juridicamente diante das suspeitas de crimes financeiros. LEIA MAIS: Ex-gerente suspeito de desvio milionário pesquisou na internet como 'viver de renda' com R$ 2,5 milhões, diz polícia Ex-gerente suspeito de desviar R$ 10 milhões de fazenda tinha salário de R$ 26 mil Ex-gerente é preso suspeito de desviar R$ 10 milhões de fazenda no Tocantins Suspeito preso durante ação da Polícia Civil do Tocantins Divulgação/PCTO Quem é o suspeito? Péricles foi preso preventivamente na terça-feira (7), durante uma operação da Polícia Civil. Ele é ex-gerente da Fazenda Bacaba, em Miranorte, e ocupou o cargo entre 2021 e 2025. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e da esposa dele, além de R$ 1,6 milhão nas contas de uma empresa que, de acordo com a polícia, fazia parte das irregularidades. Como funcionava o suposto esquema? Segundo a investigação, o ex-gerente usava o cargo para superfaturar serviços prestados por empresas terceirizadas. A diferença entre os valores reais e os pagos era desviada para contas próprias e de terceiros ligados ao esquema. Há mais pessoas envolvidas no esquema de desvios? Segundo a Polícia Civil, além de Péricles Antônio Pereira, o esquema teria envolvido terceiros e empresas prestadoras de serviço. A investigação aponta que parte do dinheiro desviado foi repassado para contas de terceiros e para uma empresa usada no esquema, que teve valores bloqueados por decisão judicial. O que diz a defesa? A defesa afirmou, em nota, que o investigado é inocente, que o patrimônio foi construído ao longo de mais de 20 anos de trabalho no meio rural e que as acusações serão esclarecidas no curso do processo legal (veja íntegra da nota abaixo). Há indícios de outros crimes além do superfaturamento? Sim. Documentos analisados pela 6ª DEIC revelaram planilhas com controle de valores ligados à prática de agiotagem, que supostamente era realizada com parte do dinheiro desviado. Prestadores de serviço também relataram comportamento intimidatório durante cobranças, incluindo o uso de arma de fogo, segundo depoimentos. O que a quebra de sigilos revelou sobre o patrimônio do investigado? A investigação apontou evolução patrimonial incompatível com a renda declarada. Entre 2023 e 2024, o patrimônio teria passado de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão. O salário informado era de aproximadamente R$ 26 mil mensais. Que tipo de pesquisas o suspeito fez na internet? Foram identificadas buscas como “qual a renda passiva de R$ 2,5 milhões aplicados em renda fixa”, “como viver de renda com R$ 2,5 milhões” e simulações para manter custo de vida mensal de R$ 20 mil sem trabalhar. Ele também pesquisou temas jurídicos ligados a denúncias e processos contra funcionários acusados de superfaturamento. Por que as pesquisas chamaram a atenção dos investigadores? O valor de R$ 2,5 milhões citado nas pesquisas coincide com quantias encontradas em contas do investigado. Para a polícia, isso indica que ele monitorava possíveis consequências legais e planejava formas de manter renda mesmo diante da investigação. Íntegra da nota da defesa A defesa vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso integral ao inquérito policial nem ao processo que embasou as medidas de busca e apreensão, razão pela qual se reserva ao direito de se manifestar de forma mais detalhada em momento oportuno, após a devida análise dos autos. Ainda assim, é necessário pontuar que o investigado é inocente das acusações que vêm sendo veiculadas. Trata-se de profissional com mais de 15 anos de atuação como gerente de fazenda (mais de 20 anos de trabalho no âmbito rural), sem qualquer histórico de litígios ou envolvimento em práticas ilícitas, sempre pautando sua conduta na ética, na confiança e na integridade. Ressalte-se que seu patrimônio foi construído ao longo de anos de trabalho, não se limitando a um curto período, como vem sendo sugerido de forma precipitada em divulgações recentes. As alegações apresentadas serão devidamente esclarecidas e refutadas no momento oportuno, no âmbito do devido processo legal, onde prevalecerão o contraditório e a ampla defesa. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.