Temendo impacto eleitoral e para proteger STF, governo tenta jogar crise do caso Master no colo de Campos Neto
Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo Lula já demonstram preocupação com o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e o banque...
Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo Lula já demonstram preocupação com o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro na eleição de 2026. Segundo relatos de ministros feitos ao blog, começou a ganhar corpo dentro do governo uma estratégia para tentar jogar a crise ao Banco Central de Campos Neto, atribuindo a responsabilidade à gestão do ex-presidente da instituição. A avaliação de aliados do Palácio do Planalto é que, se o episódio se transformar em uma crise sistêmica envolvendo diferentes instituições da República, o desgaste pode acabar contaminando diretamente o governo Lula -especialmente porque, na percepção política, a imagem do Supremo Tribunal Federal hoje aparece muito associada ao governo. Por isso, a tentativa seria concentrar o foco da crise na atuação do Banco Central durante a gestão Campos Neto, deslocando o debate para supostas falhas de supervisão e regulação. Nos bastidores, porém, interlocutores reconhecem que essa estratégia enfrenta um limite evidente: as revelações já feitas pela investigação. Isso porque o avanço das apurações e o conteúdo de mensagens reveladas colocam no centro do debate a atuação de autoridades do próprio Supremo, especialmente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que ainda terão de explicar o teor e o contexto de contatos com personagens do caso. Por isso, mesmo entre integrantes do governo, há quem admita que tentar reduzir a crise apenas ao Banco Central pode não ser suficiente para estancar o desgaste institucional. A movimentação também ocorre após reclamações reservadas vindas de ministros do próprio Supremo, que têm pressionado o governo por uma reação política para tentar conter os efeitos da crise sobre a imagem da Corte. Nos bastidores, o temor comum é que o caso Master continue arrastando o sistema político e institucional para o centro do escândalo justamente em ano pré-eleitoral.